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Cuidado com as pragas

04 out

Cuidado com as pragas

Post publicado por Redação

Monilíase do cacaueiro e Vassoura de Bruxa: saiba como proteger as plantações dessas graves ameaças

Duas doenças merecem toda a atenção dos produtores de cacau no Brasil. A primeira delas, mais conhecida como Vassoura de Bruxa, já é uma dura realidade. A segunda, a Monilíase, não é uma realidade por aqui, porém, é uma ameaça, pois afeta os países vizinhos. As duas são causadas por um fungo da classe Moniliophthora.

A Monilíase do Cacueiro é causada pelo fungo Moniliophthora roreri, e vem provocando espanto em produtores de países da América do Sul – e vizinhos do Brasil – como Peru, Venezuela e Colômbia; e na América Central; reduzindo drasticamente as produções do cacau nesses lugares. “Através do seu ataque ao fruto do cacau, o fungo da Monilíase esporula, de dentro pra fora, e, em pouco tempo, ele lança esporos em grandes quantidades que vão contaminar outros frutos”, explica o agricultor Luciano Sanjuan, especialista em agricultura biodinâmica e cacaucultor no Sul da Bahia.

Sanjuan explica que a Monilíase praticamente zerou a produção de cacau na Costa Rica, com perdas das lavouras em torno de 50% ou mais, e o seu poder de alcance é muito grande. “O fungo é bastante esporulento. Pra se ter uma ideia, o esporo deixado em 1 cm de tecido do cacau atacado, pode lançar cerca de 7 milhões de esporos. Então, o fruto atacado pode emitir cerca de 7 bilhões de esporos no ar”, explica.

A Monilíase não existia no Brasil até pouco tempo, mas, de acordo com o engenheiro agrônomo e consultor, Silvino Krusche, o fungo foi identificado recentemente em uma planta que ficava em uma residência na zona urbana da cidade de Cruzeiro do Sul (AC), na divisa com o Peru, pais onde ela já existe. Porém, Krusche salienta que a doença não foi identificada em áreas de plantio comercial do Brasil.

Por isso, alguns cuidados são essenciais para prevenir a Monilíase do cacaueiro. ”A forma de prevenção da Monilíase no Brasil é através de cuidados por quem vem dos países afetados a fim de não trazer a doença para as fazendas aqui do país. É preciso evitar a propagação de sementes de cacau, de cupuaçu e outros parentes desses teobromas vindos das regiões afetadas”, alerta o agricultor Luciano Sanjuan.

Sanjuan destaca que quem teve contato com plantações de cacau em países afetados, deve passar por uma quarentena antes de ter contato com as lavouras brasileiras. Além disso, é preciso desinfetar adequadamente roupas, sapatos e ferramentas utilizadas no exterior, antes de serem utilizadas no Brasil.

O perigo já convive por aqui

Doença muito grave e que vem inviabilizando milhares de fazendas cacaueiras no Brasil, a Vassoura de Bruxa é causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa. A doença chegou por aqui no final da década de 1980, na Bahia, causando estragos estrondosos na produção de cacau na região. Luciano Sanjuan conta que desde então muitas fazendas foram fechadas ou estão com baixíssima produção de cacau devido aos efeitos da doença. “A Vassoura de Bruxa ataca vários tecidos do cacaueiro, dos galhos até os frutos, inviabilizando a planta como um todo”, alerta Sanjuan.

Práticas para o controle da doença

A Vassoura de Bruxa pode afetar até 100% das plantações em anos chuvosos, pois a umidade é o ambiente perfeito para o desenvolvimento do fungo. Por isso, de acordo com o engenheiro agrônomo Silvino Krusche, é preciso saber conviver com a doença, utilizando condições adequadas, como plantios com menos sombra e menos umidade, plantas mais baixas e com maior capacidade produtiva (clones), e produção de variedades tolerantes à doença. “Estas variedades já existem em outros países e já estão sendo testadas aqui, como também servindo como fonte de cruzamento para desenvolvimento de outros clones tolerantes”, destaca.

O agricultor Luciano Sanjuan orienta os produtores de cacau através de práticas da biodinâmica: “Com os preparados biodinâmicos, o manejo correto do cacau e da sombra, uma planta num porte adequado e algumas outras práticas para o fortalecimento das plantas, conseguimos controlar a Vassoura de Bruxa em mais de 99%”, ressalta.

No Brasil não existe um tratamento direcionado para a Monilíase do cacaueiro, pois a doença não existe nas lavouras de cacau aqui do país. Porém, os especialistas acreditam que as práticas para o controle da Vassoura de Bruxa e da Monilíase do Cacaueiro podem ser parecidas, por serem da mesma estirpe de fungo Moniliophthora.