Bean to Bar Brasil

Como saber se a minha empresa está pronta para exportar?

07 mar

Como saber se a minha empresa está pronta para exportar?

Post publicado por Redação

Rodrigo Solano e Leandro Marcelo Joia Geremias, sócios da Think Global, falam sobre o processo de internacionalização para as empresas de chocolate bean to bar e tree to bar

 

Em 2022, a Associação Bean to Bar Brasil iniciou um plano de internacionalização de marcas associadas de chocolates bean to bar e tree to bar. Em um dos eventos realizados com foco na exportação do chocolate bean to bar, os especialistas Rodrigo Solano e Leandro Marcelo Joia Geremias, da empresa Think Global, abordaram temas relacionados ao planejamento de marca e processo de exportação.

Rodrigo Solano é Mestre em Comunicação e pesquisador em temas relacionados à interculturalidade e planejamento estratégico para internacionalização. Desde 1998, tem atuado junto a câmaras de comércio, entidades de classe e projetos da Agência Nacional de Promoção às Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) no desenvolvimento de mercados e capacitação a centenas de empresas no que se refere à internacionalização.

Confira a entrevista com o especialista:

 

Associação: Como identificar se a minha empresa já tem condições de exportar? Quais pontos devem ser observados para iniciar o processo de internacionalização?

Solano: Uma das dificuldades que a gente identifica na maior parte das empresas brasileiras, as empresas do segmento bean to bar e tree to bar provavelmente não têm:  um apelo de marketing. Por que eu digo isso? Nesse novo cenário mercadológico global, os consumidores buscam produtos que têm origem, produtos com diferenciais, valor agregado, e esse é o caso do chocolate bean to bar e tree to bar. Esse já é um apelo de marketing que, se você trabalhar no desenvolvimento e na comunicação internacional, já facilita muito.

 

Associação: Quais são os diferenciais que você destaca no chocolate bean to bar e tree to bar como um produto pra exportação?

Solano: Alguns anos atrás, o chocolate era o que a gente pode chamar de chocolate comercial. Então, você tinha uma imagem: normalmente, se imaginava um doce com uma composição ao leite. Poucos sabiam dessa possibilidade do vínculo com as amêndoas do cacau, né? E quando surge esse movimento bean to bar, você traz aí uma qualidade superior ao produto.

Então, quando a gente vê esse contexto mercadológico de que um grupo de consumidores é bastante preocupado com a origem, a saudabilidade, a sustentabilidade, tanto ambiental quanto social, isso sem dúvida constitui um diferencial para as empresas brasileiras. Primeiro porque o cacau tem sua origem na Amazônia, então temos um apelo original do cacau aqui. Esse discurso do cacau produto que vai ser consumido já se distancia daquele chocolate comercial, e se aproxima de um produto diferenciado e que se importa com o consumidor.

 

Associação: O que a empresa precisa ter trabalhado de forma sólida antes de iniciar o processo de exportação?

Solano: O planejamento de marca é uma das coisas. A embalagem, por exemplo, comunica como um todo. Ou seja, a empresa deve planejar o que deseja significar dentro da sua estratégia de marketing. A outra é a parte operacional, entender como funciona o comércio internacional, que é a operação desde quando o produto está pronto até ele de fato chegar lá nas mãos do comprador.

Eu costumo dizer que o que a empresa precisa para exportar são três pilares. O primeiro é desenvolver a internacionalização das pessoas que vão estar direta ou indiretamente envolvidas em todo o processo. E aí a gente está falando de desenvolver realmente a mentalidade internacional, pensar além das fronteiras. O segundo pilar é a internacionalização do planejamento de negócios, e por fim, no terceiro pilar entra a internacionalização física do produto, que são as operações, colocar o produto de fato lá fora.

 

Associação: Quais são os primeiros passos para colocar o produto à venda no exterior?

Solano: A primeira coisa é buscar o apoio de um projeto setorial, um projeto que tenha todas as informações, porque isso vai economizar muito tempo e minimizar possibilidade de erros.

 

Sócio de Rodrigo Solano na Think Global, Leandro Marcelo Joia Geremias, especialista em Operações Internacionais, destaca os pontos que devem ser considerados com a concorrência internacional, bem como as vantagens do processo de internacionalização para as empresas.

 

Associação: Quais são os pontos que devem ser considerados com a concorrência internacional?

Geremias: Os principais pontos a serem considerados em um processo de venda internacional são o conhecimento das regras comerciais, financeiras, fiscais e jurídicas do mercado estrangeiro, os documentos e regras necessários para o correto envio do produto ao exterior, conhecimento em logística internacional e, principalmente, os aspectos culturais para saber lidar e negociar com o seu cliente no exterior.

 

Associação: Quais são as vantagens que o processo de internacionalização pode trazer para a empresa, inclusive no mercado interno?

Geremias: A internacionalização de uma empresa permite que ela tenha uma visão mais ampla sobre o mercado consumidor em geral, pois com mais clientes no Brasil e no exterior, a empresa passa a atuar em mercados com costumes, culturas e climas diversos, e isto gera conhecimentos sobre os desejos e poderes de compra de vários tipos de consumidores.

Esta inteligência obtida em um mercado pode ser replicada em outros mercados, agregando competitividade e adaptação do produto no ambiente nacional e internacional. Também, determinados produtos, adaptações, ações comerciais e embalagens podem ser testadas em um mercado antes de ganhar projeção na cadeia consumidora da empresa.

Além disto, há outros fatores importantes na internacionalização que são a redução da sazonalidade das vendas, a geração de receitas em moedas estrangeiras e o ganho em competitividade do produto da empresa frente aos seus concorrentes.